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7 de julho de 2017


DATA DA PUBLICAÇÃO:
7 de julho de 2017

TEMA:

Trem noturno para Lisboa


Se vivermos só uma parte do que há em nós, o que acontece com o resto? vivemos aqui e agora; tudo o que aconteceu antes ou em outros lugares é passado; em grande parte esquecido. 

O que teria ou o que deveria ser feito com todo o tempo que temos pela frente, em aberto e ainda sem forma? leve como o ar em sua liberdade e pesado como o chumbo em sua incerteza.

É um desejo, um simples e nostálgico sonho voltar a determinado ponto de nossa vida e poder tomar um rumo completamente diferente daquilo que fez de nós quem somos"

Deixamos algo de nós pra trás...permanecemos lá, apesar de ter partido.

E há coisas em nós que só reencontraremos ao voltar.

Viajamos ao nosso encontro quando vamos a um lugar, onde vivemos parte da nossa vida..por mais breve que tenha sido; mas indo ao nosso encontro, temos de confrontar nossa solidão. 

E não é por isso que tudo o que fazemos se deve ao medo da solidão. 

Não é por isso que renunciamos as coisas das quais nos arrependeremos no fim de nossas vidas? 

Será basicamente uma questão de autoimagem a ideia que criamos para nós mesmos do que é preciso realizar e vivenciar para que possamos aprovar a vida que vivemos?

Se for o caso; pode-se descrever o medo da morte como o medo de não ser capaz de ser quem planejamos ser.

Se cair sobre nós a certeza de que essa plenitude nunca será atingida, subitamente não saberemos mais viver o tempo que ja não pode fazer parte de uma vida inteira.

O verdadeiro diretor da vida é o acaso; um diretor repleto de crueldade, de compaixão e de encanto fascinante.

Os momentos decisivos na vida , quando sua direção muda pra sempre, nem sempre são marcados por melodramas ruidosos. 

Aliás, os momentos dramáticos das experiencias determinantes são frequentemente muitíssimo discreto.

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